sábado, abril 21, 2007

Sábado pela manhã

Numa manhã de sábado um rapaz levantou cedo e com fome. Vestiu qualquer coisa, calçou as havaianas, apanhou umas moedas e saiu à rua de terra, ainda molhada da chuva gostosa da noite. Caminhou os duzentos metros que separam sua casa da padaria, esta de madeira e teto de zinco, pintada de verde pelo zeloso dono, amazonense do interior, que decidiu viver a vida mantendo seu pequeno negócio ao lado da enorme praia de areias brancas e água doce.
O pão ainda não estava pronto, então o rapaz foi até a esquina, atravessou a rua e caminhou pela praia, oitenta metros, até alcançar a água escura e límpida. Deu um mergulho. Mijou na água, tirou suas melecas, limpou a remela dos olhos. Deu uma cambalhota para trás, dentro da água, e mergulhou um pouco mais, para comemorar.
Depois saiu, voltou pela areia fofa e brilhante, comprou seu pão, que estava quentinho, pão de massa fina, e também queijo e manteiga. Contou as moedas, devolveu o queijo e foi para casa, molhando o pão na manteiga, mastigando, saboreando e deglutindo seu desjejum. Os pássaros cantando e as altas copas das árvores pelo caminho distraíram seu pensamento até que chegou em casa de novo, terminou o pão com manteiga, bebeu água e saiu novamente à rua, contente pela vida ser, em certos momentos, simplesmente perfeita.